Trecho do Texto SUA MOCHILA, MEU TÊNIS

Nos labirintos das ruas, buscava sem parada, feito gente que recebe do Divino o querer de presente e ganha passagem.  Semáforo forçando brecada, pessoas transitando em toda direção, no atropelo por algum motivo ou sentido nenhum.  Outdoor falsidade congelada, vendedor de bala impondo questões da vida. Senhora com passos calmos da idade, levando maçãs e pensamentos distantes; Areia pra construção aquecendo barriga vazia do vira lata e sol clareando o verde das folhas presas voando, alcançando minha visão. O som que ouvia era música que ganha o ouvinte no refrão, sem merecer atenção, forjada, que acaba feito gelo mergulhado.

    Na minha vez, destoava a ausência no feriado, o jantar que não ia, a vela que não acendia. O resultado da soma dava ímpar e eu queria o encaixe do par.

    No querer transformar o roteiro e buscar alternativas, esbarrei-me em quem queria perto, sem procurar, como quem chega ao momento, se forma, se cura, se ajoelha.

    Sem ser meu namorado, era parceiro. As folhas parecendo de outono, davam  recados de Agosto que viria. Enfrentamos o frio, deixamos folhas secas rodopiarem ao vento, partirem deixando espaço ao novo.

    Seu humor me credenciava, levava tristeza que passava por mim.

    Sem você garoava, perdia parte o som, extensão, a boa maneira. Juntos, pra lá, pra cima, pra vida inteira, amor inteiro, agradecida, abençoada como uma videira.

 Por Lu Dornaicka

TRECHO do Texto Sua Mochila, Meu Tênis