
Na caixa de madeira deixo o nexo, rasgo autógrafo, esvazio de papel, molho a poeira
Longe os excessos, cortadas arestas, jogadas as sobras, dado o que não se leva
Enrolo o tapete vermelho, desfaço a faixa preferencial, vendo o anel
Desfaço cilada que faz o maior querer ser peito inventado, corpo moldado, cabelo forçado, o rosto que se teve retornado
Me banho da transformação comedida, bem vinda auto-estima
Não concedo melhor lugar, não elaboro a frase com cautela, não dedico honrarias aquele que tem poder, com o que pagar, visual ou fama, nem todo servir, toda atenção, todo agrado, não por isso, por isso não
Nada feito, se é pra ser visto
Nada no lugar, se é só pra cansar
Nada é barato, se é todo inútil
Não compro sapato apertado liquidado
Rejeito a rotina que leva a vida toda pro bolso
O que ignoro ou não tenho já não me pára, nem me compara
Se está lotado, atravesso a rua e preencho o outro lado
Tento a leveza, roupa larga, o campo florido
Se invisto no que sou, cuido melhor da vida do outro, cedo meu lugar pra ver sua perspectiva
Cansei de Darwin, dos que riem da ignorância, de frases feitas
Sou o revide, palavra contida, o que agride, mão estendida, tapa, omissão
Sou o que abraça, vida dedicada, o que enlaça, pão negado, graça, elevação
Sou o altruísmo, mal reprimido, o que disfarça, não comenta, ameaça, afeição
Quando consigo ser melhor do que sou, Deus já me alcançou.
Por Lu Dornaicka
Texto Se Houver Sentido