
A corrupção pesa a pobreza magra e faminta
Revela a maldade na bondade dissimulada, que tira toda casca no dente e toma a fruta
pra si
Mas a vida é encontrada em todo endereço que há espaço pro passo
Ao subir a ladeira, ao descer na ribeira
Na sala, na discussão, na frase dita
Quando os olhos imploram e a boca se cala em entendimento
Nas rugas alcançadas pelo tempo, nas dunas formadas pelo vento
Em frente a porta, na conversa disposta, na carência que pede atenção
Vida no gesto, na cadeira que espera alguém
Vida na lata, no escuro, no caderno xadrez, na correnteza
Vida no improvável, na barriga que se expande pra criação
Vida no cabelo do sábio fantasiado de louco
Vida na simplicidade de ser, no drible da dor
Vida que altera o sem graça, desvia da avalanche que pára, da palavra que bate, do ruim
em empate, do programa apelativo diminui ibope
Pra ver vida é ajustar enfoque, ignorar um tanto
Ser sal e acender no gesto a travessia
Por Lu Dornaicka
Texto Outro Olhar