
Pêssego sabor, na cor que não poupa o açúcar na polpa, na época
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”
Eclesiastes nos tira o véu
A fruta de Outubro, não se saboreia igual em Maio
Estação fria, chove sem aviso,
Vem de lado, de frente, cede a sede, abastece
Se fecha o tempo e atropela, entristece, faz a molhadela
Relógio quebrado não pára o tempo
Nem perante dor tamanha,
Seguem os dias, seguem as noites, sem diálogo
A lua imponente nem se esconde,
O frio ignora trajes
Lembro então Daquele que me guia
Diante Dele a perfeição
Vento que sopra e tudo desloca
Ainda que não entenda a visão do alto, a manobra
De suas mãos, o melhor agora, o melhor depois
Aquieta-me a confiança
Coloca-me em cobertura
Amplio minha visão por determinação
Tal quando, tempo exato a frente
É do amanhã, se não nessa manhã
Esperança que me entusiasma é mais que meia luz
Resplendor
Por hora, hoje não vigora
Não agora
Que deixe outrora
Que venha na aurora, sem demora
O motivo, o alívio, o toque, a melhor raiz, a graça
Se por um triz o vento bate a janela, movimento me sinaliza Aquele que me leva, Aquele que sempre me faz chegar, Aquele que me eleva pro mal passar.
Por Lu Dornaicka
Texto: O Caminho, Contorno do Divino