MUDA

Como giz de cera que se acaba em desenho vão

Gastei vida no ato, num tapa, a vista

Na festa errada, no sorriso de quem se disfarça no gole que rouba

No estilo fast food do agora que se vende e vai embora, nem demora e cobra lá na frente

Segui de olhos fechados, na dor contida, descalço

Levei tudo emprestado, esperei o secundário, tive aquilo que me foi dado, dos outros fui o comentário

Meu time, minhas taças e bolas fora

Pra tela do meu jogo fui transferido invertendo meu abrigo

Passei a resposta, não esperei por mim nem por ninguém, me cobri como cabana, vaguei o trem

Preenchi a semana com arroz e feijão, banho das 18 que pro ralo não leva o tacanho, TV baixa, muito talvez, querer rendido, boa noite e tudo outra vez

Acontece que nos segundos de algum tempo, me foi tirado o véu

Liguei a ponte, encontrei a lamparina, segui pro monte

Virei alguns graus, meu mar ganhou espuma

Meus dias com fôlego deram uma subida de onde avistei maneiras, canteiros repletos que nunca encontrei

Vi que existia um mistério mais alto me tirando do contexto embaçado sem perguntar que miséria eu era

A ciranda como vida cirandava, comovida parou seu giro, silenciou o momento na pista, abriu espaço pra eu ser protagonista

Nada mudou completamente antes de mim

Da vida escondida, pra vida transpirando

Não mais o que anota a cor da camiseta, o que a desbota

 Por Lu Dornaicka

 Texto Muda