
Como roda gigante me conta que fui pequena
Me transporta, me desloca, me retorna
Existe um tanto que me toca pra me recordar
Perfume ou Letreiro, TV chuviscada, seta quebrada
Som de flauta, canto de Cigarra, Cheiro de madeira, cheiro de Cidreira
Caderno novo, Chuva de outono
Me convidam para momentos de outro tempo, forçam trechos do meu cotidiano, pausam meu agora, por segundos me levam embora
Como o vento de hoje, não precisou de trinco nem cerimonia pra fechar, submetida, a porta na batida, pôs toda fechadura pelo ar,
Na caixa de ferramentas, carreguei meu Zaffer sem poder evitar
O que datilografa, marca na teclada seu nome em mim
Pessoas sinalizadas em objetos, situações, aromas, perfumes e sons
A digital de minha avó, sempre estará na gelatina de cereja que ainda hei de experimentar
Instante tão aquele
Imagem efêmera, perfeita e essa
Me solta em momentos que não mais há
Me recolhe, me remete, me regressa
Não gosto do gosto de sorvete de morango, mas saboreio a sensação de desfrutá-lo
Por Lu Dornaicka
Texto Meu Pretérito imperfeito