
Joaninha enfeitada de cor, em passos leves ritmados visita a flor, faz contraste na pétala amarela, nota-se a pequena só porque é domingo.
Acorda mais tarde pro sono acabar, vagar o tempo, espreguiçar, quebrar rotina. Acorda mais cedo pro sol nascer, ser comandado pelo querer, dia todo dedicado, segundo a segundo seu momento exposto no relógio, seu domingo.
Dorme a rua, seus paralelepípedos se banham de sol, não faz sombra o carro, toldos. O espaço é amplo, o céu aberto, o comércio silencia de domingo.
Descansa o barulho do movimento que buzina, fala, volta, se apressa, se altera, cedendo permissão ao som de poucos passos, do gotejo da chuva de ontem, cantam os pássaros, alguém no chuveiro o contentamento de domingo.
Tempo guardado ao sagrado. A Ele o todo, a Ele o tudo. Abastece-nos Deus. Bendito seja o domingo.
Tem manjericão, molho de tomate, macarrão. Mais tempero, sobremesa, mais bagunça e falatório. Sono depois do almoço é briga entre a rede e a descontração de um domingo.
Difere seu silêncio mais quieto, seu som mais ameno. Tem tom, sensação, singularidades, jeito, cara, o dia de domingo.
Se está nos trilhos certeiros, escolhidos, no comando da direção, conduzindo cada dia, cada fase pela mão, o sentimento de domingo é de parada pra armazenar energia e bailar a semana. Se está nos trilhos indesejáveis, sendo levado, sem querer, sem saber onde se fará a parada, o sentimento é angústia, o som dos programas de TV desse dia, traem os esforços de ignorar o dia que antecede a segunda-feira, domingo.
Dia de festa, churrasco, namoro, igreja, futebol, passeio, descanso, televisão, entrega, corrida, família, solidão. Dia de fazer nada. Dia de faxina, tirar atrasos, organização, balanço, reforço, consertos. Dia de fazer tudo. Dia sem igual.
Por Lu Dornaicka
Texto Domingo